quarta-feira, 5 de agosto de 2015

M@L†®Ap!Lh0$: O desabafo de Renato

Os Maltrapilhos eram um povo distinto, não extinto.


Eles tinham medo. Viviam isolados, se escondendo de tudo e de todos. Quem olha para eles pensa: "Em que década eles vivem?". Por mais que haja diferença entre cada ser humano, as pessoas tendem a extirpar todo e qualquer que dissimila e destoa da grande massa. Julgam que alguns são uma aberração.

Renato era um menino simples, aparentemente sem problemas. Era também muito tímido, mas ele não se sentia sincero. A começar consigo mesmo. Certo dia, resolveu ir na reunião dos M.A. (Maltrapilhos Anônimos), Renato pediu a palavra e disse:

"Quero me encontrar, mas não sei onde estou. Vem comigo procurar algum lugar mais calmo.
Longe dessa confusão e dessa gente que não se respeita. Tenho quase certeza que eu não sou daqui. Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre. Vai ficando complicado e ao mesmo tempo diferente. Estou cansado de bater e ninguém abrir...."

Após uma breve pausa, ele continuou:

"Me deixa ver como viver é bom. Não é a vida como está, e sim as coisas como são. Você não quis tentar me ajudar. Então, a culpa é de quem? A culpa é de quem?"

"Preciso de oxigênio, preciso ter amigos. Preciso ter dinheiro, preciso de carinho. Acho que te amava, agora acho que te odeio. São tudo pequenas coisas e tudo deve passar..."


Embora questionasse tudo o que estivesse vivendo e sentindo, Renato sabia que aquilo um dia passaria. Por mais à vontade que os maltrapilhos se sentissem na companhia uns dos outros, ainda se sentiam deslocados. Afinal, o que por muito tempo era um problema pessoal, se tornou público.

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